Agradeço

ddddddddd

Ainda acordo todos os dias agradecendo pelo amor que trago no peito, pelas palavras que nunca cessam, pela vontade de escrever que nunca acaba.  Eu agradeço ter paz no meu olhar, refúgio no meu silêncio. Agradeço ser confusão, furacão e ainda assim, verdade. Não olho a vida com rancor, não criei amargura. Antes de tudo, aceito com amor o que recebo. Que bom que consigo questionar a vida sem temor e compartilhar minhas palavras ainda que com timidez. Agradeço todo amor que me foi dado, e o que me foi poupado. Continuo acreditando na magia que é o amor real, livre e acima de tudo leve. A idade apazigua a alma, lava as inseguranças, leva os medos, transforma. Viver ainda me mata de amor.

 

 

 

Dane-se

.

 

Nasci careta, conservadora, antiga. O peito não pode sentir nada diferente que a mão traduz. Alguns questionam minhas palavras, crucificam ser “tão pensativa”. “Dane-se” foi tudo o que eu sempre quis dize-los. Alguém tem que ter um pouco de questionamento nas palavras, de intensidade na vida, de amor nas mãos. Não da para viver pra sempre na superficialidade de conversar triviais. Tenho um coração.

 

 

Vazio

large

 

Já é Junho e posso contar nos dedos quantas vezes abri meu coração nesse blog. Acho que tem se tornado cada vez mais difícil abrir o coração, encarar o silêncio, escrever com verdade. Tem sido difícil por a cabeça no lugar, parar. E o que eu mais desejo agora talvez seja saber parar, dar um freio na vida, respirar tranquilidade. Não tenho lágrimas nos olhos a algum tempo, o mesmo tempo que desbotei os cabelos, desocupei os armários e despi os pudores. De qualquer forma, não consegui evitar paixões, expectativas, o vazio no peito. E é esse vazio que não quero mais abraçar a noite, que não quero sambando no meu coração. É a falta do depois que ainda sinto. 

Abençoados

be

 

Abençoados aqueles que tem transparência nas palavras, porque não precisam de meias verdades. Sabem o que querem, sem ofender. Abençoados os que possuem esconderijo no abraço. Que curam mágoas enquanto cuidam. Abençoados os que trazem paz no olhar. Que não precisam ser exaltados para se sentir melhor. Abençoados aqueles de verdade, que não precisam ser nada, porque já são tudo que querem.

Mutualidade

135451

 

 

Eu ainda acredito em mistérios que se encontram. Em silêncios que se escolhem. Numa magia que acontece quando a gente abre a boca e, quando fala, encontra morada no ouvido do outro. E quando o outro fala, canta ao nosso coração. Tenho cada vez mais certeza que o amor nasce das palavras. Da mutualidade de sentir igual.

Cantar paixões

aaaaaaaa

 

As vezes encaro uma folha em branco. Pra mim é como se ela gritasse possibilidades. Tenho uma mão nervosa. Preciso escrever. Completar-se, as vezes é questão de esvaziar as ideias. Então, vez ou outra, deixo de ser quem sou e transformo letras em sonhos, saudades. Cada frase abraça um pedaço do meu coração. Um texto, embora mudo, canta paixões. Não há nada mais saboroso do que re-ler sentimentos, do que deliciar a alma com tanta transparência. Plenitude é sentir que as coisas lá fora cooperam para paz aqui de dentro. Sem grandes esforços. A vida passa a fluir.

Florescer sonhos

thumbN1YEFYPW

Eu tenho ainda um nó no peito que não foi desfeito, porque apesar de infantil eu me recusei e me recuso a falar, pensar, sentir. Eu desfoco, como quem arrancou a página de uma história importante e ficou sem saber o final. Eu bloqueei. Não tenho mania disso, de um coração ressentido, amargurado. Mas as vezes, viver sem expectativas e sem planos é mais seguro. Não se pode magoar os que não esperam nada. Traumatizados. Chamem como quiser. Assumo minha condição. Melhor do que nega-la. Estamos na mira dos que julgam a todo tempo. Porque se esta feliz, porque se esta triste, porque sai, porque não sai. A vida sempre uma corrida com obstáculos.

Mas não é possível guardar os planos para sempre em uma cartola, florescem sem querer. Um coração que ama (a vida, as pessoas, o amor), não se fecha por muito tempo. Recolhe-se ao passo do luto, da amargura, da negação, até que se redescubra, até que se transforme, ou seja transformado. Há sempre a saudade de pertencer a alguém.

 

Sobre a crise dos 26

3333333333

Sobre a crise dos vinte e seis… Não temos mais 20 e todos os possíveis amanhãs. Ainda não fizemos 30 e por este motivo existem muitos planos no papel. A maioria de nós sonhou que 26 era uma idade adulta o suficiente, mas quantos ainda estão na casa dos pais? A verdade é que com o tempo não só a idade chega, mas uma realidade sem tanta cara de novela. Uma amiga me confessou que se sentia menos romântica, menos “ela”. Eis um outro problema do tempo, com o mesmo ímpeto que amansa uma alma deixa qualquer um mais calejado. Não se sabe se a alma mansa é fruto dos calos, ou se é indiferença aos sonhos adolescentes que hoje parecem delírios. A verdade é que estamos pisando delicadamente na linha que separa o hoje do amanhã. É o lado bom. Ainda se pode escolher qualquer futuro, tentar qualquer sonho louco. Ainda podemos desistir sem grandes consequências. Recomeçar sem tanto trauma. Aconselho os que posso “melhor sofrer por inteiro do que viver pela metade”. Depois de um tempo sofrimento vira aprendizado, vira luz, vira amor. Me sinto acuada e ao mesmo tempo transbordo de energia com tantas possibilidades. Diminuir a velocidade não fez meus sonhos diminuírem de importância. Na verdade tenho saboreado as esperas, antes amargar, agora doces. E durmo todos os dias implorando a Deus que impeça que as magoas, as feridas e as quedas me tirem a autenticidade e espontaneidade que cultivo. Viver com 26 tem que ter lá seu medo, mas tem que ter também sua dose juventude liberta, astuta, impulsiva. Não façamos um dissabor de uma idade tão bonita, não nos entreguemos e deixemos de ser quem somos. É pouco tempo para desistirmos ainda jovens.

Contradições verdadeiras

large

É fácil se contradizer hoje em dia. A prova disso são todos os tipos de festas cheios de corações partidos, loucos por um recomeço, por um novo amor. A gente indo pra balada cantando a lei do desapego, mas é beijar na boca que se apaixona, que deseja um reencontro ou que tristemente lembra do amor que nunca passou.  Somos intensos, desejamos leve, mas fazemos planos tão fácil, as vezes por tão pouco. Temos o coração blindado, mas acreditamos no primeiro “eu não vou sumir” que escutamos. Somos juízes na noite, julgando o comportamento de quem quer que seja, mas lembramos que não conhecemos o que cada um traz atrás da roupa cara e do perfume de marca quando o dedo “apontador” vira para nós e nos lembra nossos passos. Aprendi e continuo aprendendo a ter um coração que julga menos, aceita mais. Nem de longe direi que virei moderna, continuo antiga, mas escorregando vez ou outra. Continuo sendo romântica debaixo da minha casca grossa, mas esperando cada dia mais que menos dedos me julguem, que mais corações me amem, que mais abraços me ouçam e sorrisos me completem.

Pular no abismo

large

Depois de muito tempo permitindo meu coração sofrer, a vida me coloca de frente pro abismo: “ou você pula ou desiste e vai ficar para sempre parada onde esta”, ela me diz. “Para sempre parada onde esta”. Repenso. E  por que não se jogar? Libertar os medos, curtir o vento bater no rosto num voo ao ar livre. Sempre me culpei demais pelas coisas que não deram certo, me agarrei a pessoas como se só o amor delas fosse me fazer feliz, mas vi cada um desses “amores” arrumar as malas e partir quando eu não “coube” no sonho perfeito. Quando errei, quando me fiz humana. E nenhum desses “amores”, se fez amor quando precisei ser perdoada. Uma pena.

Talvez, vá lá saber, algumas coisas simplesmente não são para ser. Ou melhor, era pra ser como foi. Veio cumprir um papel, nos ensinar algo e partir. Mas acredito que pra isso ainda possa existir respeito. Onde as pessoas esperam as ausências, onde dão o tempo necessário para os sentimentos (e porque não ,dores) adormecerem. Antes de darem mais um passo e esfregarem uma felicidade nada contida na cara de um coração machucado.

Desejo que meu coração consiga se perdoar acima de tudo. Se encarar, recolher os cacos, se dar uma nova chance. Pular no abismo.