Quando o amor não vem

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Tenho uma imensa admiração por aquelas pessoas que, podendo brincar de amor, escolhem andar inteiros sozinhos. Sem o peso de estar “tentando” acertar. E não tem nada a ver com “está cada dia mais difícil alguém que queira algo sério”. Muitos querem. Poucos se encontram.

O coração já a algum tempo não perde o ritmo, o estomago nem de longe acolheu borboletas, não tem vestígios no olhar, na fala, nas palavras. Mais difícil do que se jogar em um amor é reconhecer quando ele simplesmente não veio. Não aconteceu. O sorriso não brilha, falta palavras no olhar. E não me perguntem o que deveria ser, eu também não sei.

Continuo acreditando que tudo tem seu tempo para acontecer, mesmo que não seja o tempo em que a maioria dos nossos amigos já tenham casado. E eventualmente balancem bundinhas de bebê por ai.

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Partir, nem sempre é esquecer

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Ainda me pergunto para onde foram todas as pessoas que se passaram na minha vida. Pessoas com as quais dividi um pedaço da minha história, algumas vezes anos e anos. Pessoas que simplesmente partiram ou que simplesmente continuaram, sem mim. Não falo apenas dos namorado que se foram, mas dos amigos que perdemos quando a vida nos da tantas tarefas que nos afasta de algumas pessoas queridas. A amiga dos 9 anos que hoje mora em outro estado, a amiga dos 14 anos que ainda mora aqui, mas parece que moramos em países diferentes. Aquela pessoa que cuidou, trocou faldas, abraçou e beijou tanto. Alguns amigos de escola, onde se trocou tanta vida, tanta experiência, os da faculdade, dos empregos. Os amores, os professores. Para onde foram essas pessoas? Na maioria das vezes esta pergunta tem resposta, outras só ficaram as lembranças. E a vida, ainda assim, nos ensina sobre a continuidade das coisas. Sobre como todas estas pessoas, contribuíram pra o ser que sou hoje. Agradeço as histórias que construímos juntos, os corações que permitiram que eu fizesse morada, os braços que me deram abraços, os ombros que me deram consolo e todos os sorrisos que dei com a alma. Em silêncio agradeço cada vida que tocou a minha vida e, por um instante, ficou. Partir nem sempre significa esquecer.

Bater asas no desconhecido

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Tenho lembranças de como desejei e planejei um futuro que parecia tão distante aos 12 anos. Metade das coisas que acreditei estar vivendo hoje ainda não se concretizaram, mas todo o resto aconteceu sem que eu precisasse planejar coisa alguma. Sou grata por toda realização não planejada que aconteceu em minha vida, por todas as vezes que mesmo sem eu sonhar, Deus me concedeu milagres. Eu ainda acredito em milagres, nas pessoas, no amor. Uma pena que ao mesmo tempo que crescer nos encha de possibilidades, apague sem timidez alguns encantos juvenis. Meus dois pés vivem 99% do tempo colados ao chão, segurando firme o meu coração em um terreno seguro. Sou feroz, intensa, chata e as vezes até grossa, mas na mesma medida transparente, honesta e verdadeira. Não carrego segredos, costumo aceitar minhas escolhas sem grandes pesares. Aprendi a me arrepender e continuar vivendo, porque aprendi a recomeçar, me recriar, me transformar. Eu aprendi a pedi perdão. Os anos trazem a alma leveza, sem necessidade de tanto imediatismo, sem necessidade que a vida aconteça ontem. A gente se aceita. Do jeito que é. E passa a celebrar com gosto saudoso a vida, a gente admite o inevitável, deixa de ciscar o chão batido, pra bater asas no desconhecido.

Sobre a maturidade

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Despenteei os cabelos, despi ideias. Pendurei minhas certezas todas no armário. Aprendi a deixar as coisas acontecerem ao seu tempo, sem atropelos. E ser, naturalmente. Excesso de planos e roteiros, tornam a vida burocrática. Falta tempo para deixar que a vida nos surpreenda. Faltam olhos que enxerguem leveza, um coração que converse no silêncio.

Mas talvez a falta de planos nos torne passivos diante da nossa história e nos traga apenas o que der, sem grandes méritos. Passamos a caber no que nos é concedido. Humilhante. Existe um ponto de equilíbrio entre estas duas vias, entre deixar as coisas acontecerem e todos os planos que temos para ontem. Este ponto de equilíbrio, nos é presenteado com o tempo e podemos chama-lo amigavelmente de maturidade.

É esta maturidade que abraçamos a noite quando não temos certeza do amanhã, e que mesmo sem certezas faz nosso coração dormir em paz. É esta maturidade que faz a gente acordar sem planos, entardecer maravilhados com a vida e deitar a noite felizes, mesmo sem motivo aparente. É esta maturidade que aceita e respira tranquila o agora como dádiva e sábia não questiona o porque que dos acontecimentos, agradece.

Descompassos

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Nasci mal criada demais para caber em entrelinhas, para sufocar ausências e bastar-me de comodismos. Também nasci orgulhosa demais para insistir em sentimentos. Não sei se devo chamar orgulho, ou se por ventura, mais apropriado, deveria chamar de outro nome qualquer, onde fique claro que acredito na leveza do que vem para ser, intenso. O descompasso do meu peito, não tem ritmo para repetir refrão. Ainda assim, tenho sonhos malucos de um ser normal. Gosto de ir a livrarias e me pegar pensando que eu seria feliz morando ali. Em meio a tantas palavras, tanto sonho, tanta poesia. Eu também seria feliz na praia, repenso. Onde todos os sonhos se renovam, como ondas. Onde os acordes do mar silenciam qualquer pensamento. E o sol, como um carrasco, escreve em nossa pele lembranças, que volta e meia se apagam. Nasci transparente e feroz. Mas sem síndrome de Gabriela, amansei sentimentos, domei comportamentos. Tenho entrega nas mãos e um dom no coração. Escrever sempre foi consequência de sentir.

 

Respirar vazios

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Eu aprendi que o pulso de um poeta tem que escrever no ritmo do coração. E sentir e imaginar e viver. Aprendi que sonhar não requer esforço, requer paixão. Colocar um pé na frente do outro não é amar a vida. Aprendi que os que amam demais e em excesso não são fracos, mas vazios de si mesmos. Aprendi que é legal mudar a cor do cabelo, das unhas, a maneira de se vestir. Mas aprendi também que todo mundo tem que parar uma vez na vida, respirar fundo, repensar sua história. Parar. Tem um momento que a gente precisa se esvaziar dos outros e com leveza fechar o coração. É preciso respirar sempre e muito nossos sonhos, nossos medos, nossas esperanças. Plenitude é esse sentimento solitário que nos completa, que nos acalma e deixa a vida fluir sem certezas. Porque a gente passa a deixar a vida fluir. Sem exigências, sem pressa, sem medo, sem proibições. A gente aceita que não tem o controle da vida, e respira, tranquilo, os vazios.

Agradeço

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Ainda acordo todos os dias agradecendo pelo amor que trago no peito, pelas palavras que nunca cessam, pela vontade de escrever que nunca acaba.  Eu agradeço ter paz no meu olhar, refúgio no meu silêncio. Agradeço ser confusão, furacão e ainda assim, verdade. Não olho a vida com rancor, não criei amargura. Antes de tudo, aceito com amor o que recebo. Que bom que consigo questionar a vida sem temor e compartilhar minhas palavras ainda que com timidez. Agradeço todo amor que me foi dado, e o que me foi poupado. Continuo acreditando na magia que é o amor real, livre e acima de tudo leve. A idade apazigua a alma, lava as inseguranças, leva os medos, transforma. Viver ainda me mata de amor.