Sobre respirar leveza

 

large (1)
http://www.weheartit.com

Uma vontade danada de sentar no chão da sala e simplesmente agradecer. E escrever, para que depois vire poesia. Uma vontade danada de dividir o amor que tenho dentro do peito, de dividir, mesmo que sem jeito,  o sorriso que vem morando na alma. 

Quando silenciosamente transformam-se as cores do dia, que mesmo sem companhia, nos faz florescer. Quando a leveza despe os ombros e não pesam mais os sonhos, porque, agora, podem acontecer. E a tela da TV , ainda refletia, a conversa vazia sem muitos porquês.

Repousa a mente, o coração e as costas. Trabalham os dedos, porque querem escrever. Não há mais agonia, nem o som de linhas vazias, na canção agora só o entardecer.

Anúncios

Mudando a direção

large
weheartit.com

“Eu provei e vi o mais doce amor, que liberta o meu ser…” Paulo César Baruk – Santo Espírito

Conheci o evangelho nova, entre 08 e 09 anos de idade. Aceitei Jesus Cristo como meu Salvador antes dos 15, mas só assumi um compromisso público (Batismo) pouco depois dos meus 27 anos. Foi quando eu finalmente cansei de tentar encontrar razões no mundo e decidi me render ao amor de Cristo. Foi quando eu finalmente reconheci que o mundo não era o meu lugar, que eu nunca ia conseguir entender a lógica dos homens ou estar plenamente satisfeita com as coisas que o mundo me ofereceu por tantos e tantos anos. 

Deus sabiamente determina o tempo de todas as coisas. E eu, em minha pequenez, nunca imaginei que uma das minhas três razões para me voltar a Cristo teria nascido 11 anos antes, do dia em que eu realmente entendi que não há nenhum sentido numa vida separada de Deus.

Quando eu tinha 16 anos a minha mãe anunciou uma gravidez, que não foi inesperada porque ela já vinha, a um certo tempo, “cantando a bola”. Meu coração egoísta e individualista não gostava nem de pensar na hipótese, afinal eu era a caçula. Não que eu tivesse sido uma adolescente mimada (longe disso), minha rebeldia era um pouco sem causa. Fiz promessa de ir morar com meu pai (sim, meus pais são separados e minha mãe tinha construído uma nova família), bati portas, fiz drama, chorei horrores. Não adiantou. Ao mesmo tempo que meu coração sofria a dor do fim do meu primeiro namoro, sofria a dor de ter mais um irmão para arrancar meu posto (longe ou perto eu já tinha mais 5 irmãos na conta). Claro que depois do barco perdido, minha mãe estava grávida e não tinha volta, eu orei para que, pelo menos,  não fosse uma menina. rsrsrsrs

Não preciso nem dizer que toda minha rebeldia, dor e desespero foram embora quando aquele bebê (que era menina) chegou a minha casa. Eu a amei como eu podia, trocando fraldas, dando mamadeira, colocando para dormir, brincando. E quando olhei para o lado aquele bebê já tinha 10 anos. 

Quando eu percebi a influência que a minha vida tinha sobre a vida daquele outro ser, passei a questionar a minha conduta. Eu olhava nos olhos dela e via como ela desejava ser como eu, como ela queria usar as roupas que eu usava, ter a vida que eu tinha, fazer o que eu fazia. E meu coração se entristeceu. Eu não queria que minha irmã vivesse tudo que vivi, que tivesse o coração partido tantas vezes como eu tive, que tivesse a felicidade resumida a uma vida de festas e viagens. Eu sabia que o melhor lugar para ela estar e viver era junto de Deus e eu queria que ela enxergasse em mim isso. Uma irmã que a guia pelo caminho correto, que tem a vida íntegra e dedicada a glorificar o Deus de todas as coisas. 

Hoje meu peito descansa tranquilo na certeza que tenho instruído, tanto quanto posso, esse outro ser na palavra de Deus. O meu coração agora repousa em Cristo, entendido de que “… todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8.28

Talvez as três coisas (falarei mais tarde das  outras duas) que tenham feito eu voltar para Cristo e reconhecer que minha vida não tem valor longe da vontade Dele, pareçam pequenas diante da cruz que Cristo esteve, quando morreu pagando pelos meus pecados. E, hoje, eu sei que são. Mas foi o que Deus usou, através do Espírito Santo, para incomodar a minha vida e mudá-la de direção. Foi o pontapé para que eu pudesse conhecer intimamente esse Deus bondoso e justo, que hoje enche meu peito de alegria quando me debruço a estudar e entender sua vontade através da Bíblia. 

A sensação que eu tenho é que quanto mais conheço sobre Deus e as escrituras, mais me falta a estudar. Cada dia que me aproximo da verdade reconheço quão pequena e pecadora eu sou. Reconheço minha limitação, maldade, meu coração corrompido e meu querer egoísta. E é reconhecer todas estas coisas que me põe no meu lugar. 

“Pois eu estou certo de que Deus, que começou esse bom trabalho na vida de vocês, vai continuá-lo até que ele esteja completo no Dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1.6

Sobre voltar

large
weheartit.com

Desde que me converti parei de escrever qualquer coisa que fosse guiada apenas pelos meus sentimentos. Claro que também era medo de escrever algo anti bíblico, cheio de um coração corrompido e com pouco a agregar de verdade a vida das pessoas que passassem a ler o que escrevi. Mas minhas palavras cessaram porque, antes de tudo, eu acreditava que não houvesse nada que Deus já não soubesse, inclusive todos os meus sentimentos, como escrevi no texto abaixo.

E diante de Deus minhas palavras se calam. As minhas palavras que, em outros tempos, abraçavam meu coração. Talvez pela paz que hoje meu peito respira, mas muito por acreditar que não há nada que eu possa dizer que Deus já não o saiba. Não é um silêncio constrangedor, as minhas palavras sempre foram mudas. O barulho sempre foi a alma.

Depois de mais um tempo, entendi que por mais que Cristo soubesse do meu amor, ainda assim, tenho motivos suficientes para declará-lo. Ainda assim quero que outras pessoas saibam o que Ele tem feito na minha vida. Ainda assim quero dar as minhas palavras como instrumento de Deus aos corações que precisam de um conforto. 

A minha intenção não é ensinar teologia, ou ter um blog técnico, mas abrir meu coração ao falar de um Deus pessoal, amável, bondoso, justo, fiel… (e tantas outras características). É atravessar os dias contando sobre a beleza e cuidado deste Deus maravilhoso. É compartilhar a esperança de um coração cheio de fé, para que outros corações possam se identificar, para que na loucura do mundo não passemos solitários a enfrentar os desafios de ser um Cristão decididamente apaixonado e determinado. Para que essa chama que está em cada coração, se aqueça ao encontrar outra chama no peito de quem escreve, ou de quem lê.

É para ser conforto, é para ser amor, é para ser refúgio, é para ser. Oro para que Deus continue conduzindo este meu chamado, e que eu possa dar continuidade aos textos com todo zelo e dedicação que merecem. 

Os mesmos clichês

large
https://weheartit.com

Houve uma pausa e minhas palavras se calaram por algum tempo. Um ano que o coração não enfrenta o peso de uma folha em branco. E aqui estou eu novamente. Parada em frente ao cursor que pisca e me pede para dizer que tem saudades. Me guardei por todos esses dias e a única coisa que eu não queria era escrever os mesmo clichês repetidos. Mas eles estão sempre aqui, esperando a oportunidade. 

E se repetem. Com novos rostos. Disfarçados. Quando menos se espera, atropelam seus dias. Então eu respiro, porque já vivi tudo isso. E digo que desta vez não vai dar. Que eu estou calejada demais para ouvir o coração chorar. Junto dois ou três caquinhos. E vem o silêncio. Faltam as palavras. 

 

Sobre resiliência

buenos
Arquivo prório

Na maioria das vezes que me pus a escrever, falei sobre sentimentos ligeiramente globais. Eu nunca falo explicitamente de mim. Apesar de teimar e continuar escrevendo mesmo com vergonha da exposição. Eu não falo abertamente sobre o que sinto. Jogo flores sobre sentimentos comuns. Faço perguntas perfumadas as dúvidas que todos nós temos.  Eu delicio a alma em romantizar os textos, sem que falem abertamente de amor. Mas pela primeira vez senti vontade de romantizar a minha vida, mesmo sendo um monólogo.

Eu senti vontade de abrir meu coração porque a tempos não o faço e chega um momento que bate saudade. Como as vezes sinto falta de um amor que não existe, de um olhar que não encontro. Há os que digam que escolho demais e que terminarei sozinha. rsrsrsrs Pode ser verdade, mas ainda estou com a sensação que continuo no caminho certo. É difícil recusar os convites para jantar quando suas amigas estão casadas, tendo filhos e você ainda na antiga vida na casa dos pais. Não é que seja ruim ou eu não tenha construído outras coisas. Tenho uma carreira (inicio de uma carreira) indo de vento em polpa. E, graças a Deus, entre umas e outras lágrimas, como amo o que faço. Como este trabalho me transformou como ser humano. Pelas habilidades que tive que desenvolver e pelos amigos que me escolheram.

Aprendi a ser racional, a mulher que sentimentalmente nunca fui. E, olha, deu certo. Tem dado certo. E, engraçado, esta foi uma das coisas que aprendi. Estou onde estou. No aqui, presa ao hoje. Um dia de cada vez e a palavra mais corporativa que aprendi vem sendo um mantra na minha vida: Resiliência. Respira, vai passar. Um, dois, três, a gente se distrai com outra coisa. E sempre passa. A minha ansiedade e meu medo foram trabalhados corporativamente. rsrsrsrs Não é incrível?! Aliados a minha fé que, mesmo que tropece nos meus erros, permanece de pé.

E não entendam errado, esta não é uma súplica a Deus por alguém que venha completar os meus dias. Não é um desabafo tardio de frustração e medo de ficar só. É um agradecimento e um reconhecimento. Ao contrário dos que tem a fé pequena sei que estive até aqui sozinha porque eu era capaz disso.

Primeiramente eu precisava. Um longo período na quarentena até que chegasse o momento da dúvida “eu consigo de novo?”. Até que não se saiba mais como foi a última vez que tocaram meu coração. Até que eu olhasse minha vida se repetindo até cansar, até cansar das vidas que se repetiam no meu olhar.

Depois, eu aprendi a esperar. É clichê, brega e fora de moda, mas quero uma pessoa para sempre. Duas almas que se completam. Valores, fé, vida. Sou adepta do vai demorar e vai ser para sempre. Ainda agradeço a Deus por, mesmo que virtualmente, eu esteja sendo inundada de casamentos felizes isso não abale meu coração. Isso não torne o meu coração cheio de mágoas ou frustração. E não cause ansiedade aos meus sonhos a ponto de querer realiza-los porque minha idade diz que já seria a hora. Eu não abriria mão do meu pra sempre por ansiedade. Eu não seria feliz se não fosse para sempre. Eu não alimento os meus sonhos com algodão doce.

No mais, tenho me distraído…

Sobre as verdades

weheartit.com
weheartit.com

Não venha conversar comigo sobre as coisas que deveriam ser perfeitas. Elas não são. Eu não tento mais ser. Mudei. Não há felicidade na alegria amarrada e calculada da maioria das pessoas. No medo que a maioria tem de fazer o que condena nos outros. No abraço que esconde sentimentos, pensamentos e verdades. Nas fotos compartilhadas para dizer o que não dizem as vontades. Me poupei de tentar ser feliz e decidi fluir. Como é libertador. Não existe um dia que eu não me deite inteira e nenhuma manhã que não acorde revigorada. Não escondo meus erros, nem falo demais sobre o erro dos outros. O aprendizado é individual, é pra dentro, é solitário.  Existem dias em que tudo isso se torna questionável: as verdades, a cumplicidade, a troca. Como também a ausência de todos estes sentimentos e a solidão. É assim que a vida segue. Entre uma interrogação e outra, alguns fingem ser feliz, outros desistem de fingir.