Sobre resiliência

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Arquivo prório

Na maioria das vezes que me pus a escrever, falei sobre sentimentos ligeiramente globais. Eu nunca falo explicitamente de mim. Apesar de teimar e continuar escrevendo mesmo com vergonha da exposição. Eu não falo abertamente sobre o que sinto. Jogo flores sobre sentimentos comuns. Faço perguntas perfumadas as dúvidas que todos nós temos.  Eu delicio a alma em romantizar os textos, sem que falem abertamente de amor. Mas pela primeira vez senti vontade de romantizar a minha vida, mesmo sendo um monólogo.

Eu senti vontade de abrir meu coração porque a tempos não o faço e chega um momento que bate saudade. Como as vezes sinto falta de um amor que não existe, de um olhar que não encontro. Há os que digam que escolho demais e que terminarei sozinha. rsrsrsrs Pode ser verdade, mas ainda estou com a sensação que continuo no caminho certo. É difícil recusar os convites para jantar quando suas amigas estão casadas, tendo filhos e você ainda na antiga vida na casa dos pais. Não é que seja ruim ou eu não tenha construído outras coisas. Tenho uma carreira (inicio de uma carreira) indo de vento em polpa. E, graças a Deus, entre umas e outras lágrimas, como amo o que faço. Como este trabalho me transformou como ser humano. Pelas habilidades que tive que desenvolver e pelos amigos que me escolheram.

Aprendi a ser racional, a mulher que sentimentalmente nunca fui. E, olha, deu certo. Tem dado certo. E, engraçado, esta foi uma das coisas que aprendi. Estou onde estou. No aqui, presa ao hoje. Um dia de cada vez e a palavra mais corporativa que aprendi vem sendo um mantra na minha vida: Resiliência. Respira, vai passar. Um, dois, três, a gente se distrai com outra coisa. E sempre passa. A minha ansiedade e meu medo foram trabalhados corporativamente. rsrsrsrs Não é incrível?! Aliados a minha fé que, mesmo que tropece nos meus erros, permanece de pé.

E não entendam errado, esta não é uma súplica a Deus por alguém que venha completar os meus dias. Não é um desabafo tardio de frustração e medo de ficar só. É um agradecimento e um reconhecimento. Ao contrário dos que tem a fé pequena sei que estive até aqui sozinha porque eu era capaz disso.

Primeiramente eu precisava. Um longo período na quarentena até que chegasse o momento da dúvida “eu consigo de novo?”. Até que não se saiba mais como foi a última vez que tocaram meu coração. Até que eu olhasse minha vida se repetindo até cansar, até cansar das vidas que se repetiam no meu olhar.

Depois, eu aprendi a esperar. É clichê, brega e fora de moda, mas quero uma pessoa para sempre. Duas almas que se completam. Valores, fé, vida. Sou adepta do vai demorar e vai ser para sempre. Ainda agradeço a Deus por, mesmo que virtualmente, eu esteja sendo inundada de casamentos felizes isso não abale meu coração. Isso não torne o meu coração cheio de mágoas ou frustração. E não cause ansiedade aos meus sonhos a ponto de querer realiza-los porque minha idade diz que já seria a hora. Eu não abriria mão do meu pra sempre por ansiedade. Eu não seria feliz se não fosse para sempre. Eu não alimento os meus sonhos com algodão doce.

No mais, tenho me distraído…

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