Partir, nem sempre é esquecer

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Ainda me pergunto para onde foram todas as pessoas que se passaram na minha vida. Pessoas com as quais dividi um pedaço da minha história, algumas vezes anos e anos. Pessoas que simplesmente partiram ou que simplesmente continuaram, sem mim. Não falo apenas dos namorado que se foram, mas dos amigos que perdemos quando a vida nos da tantas tarefas que nos afasta de algumas pessoas queridas. A amiga dos 9 anos que hoje mora em outro estado, a amiga dos 14 anos que ainda mora aqui, mas parece que moramos em países diferentes. Aquela pessoa que cuidou, trocou faldas, abraçou e beijou tanto. Alguns amigos de escola, onde se trocou tanta vida, tanta experiência, os da faculdade, dos empregos. Os amores, os professores. Para onde foram essas pessoas? Na maioria das vezes esta pergunta tem resposta, outras só ficaram as lembranças. E a vida, ainda assim, nos ensina sobre a continuidade das coisas. Sobre como todas estas pessoas, contribuíram pra o ser que sou hoje. Agradeço as histórias que construímos juntos, os corações que permitiram que eu fizesse morada, os braços que me deram abraços, os ombros que me deram consolo e todos os sorrisos que dei com a alma. Em silêncio agradeço cada vida que tocou a minha vida e, por um instante, ficou. Partir nem sempre significa esquecer.

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Bater asas no desconhecido

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Tenho lembranças de como desejei e planejei um futuro que parecia tão distante aos 12 anos. Metade das coisas que acreditei estar vivendo hoje ainda não se concretizaram, mas todo o resto aconteceu sem que eu precisasse planejar coisa alguma. Sou grata por toda realização não planejada que aconteceu em minha vida, por todas as vezes que mesmo sem eu sonhar, Deus me concedeu milagres. Eu ainda acredito em milagres, nas pessoas, no amor. Uma pena que ao mesmo tempo que crescer nos encha de possibilidades, apague sem timidez alguns encantos juvenis. Meus dois pés vivem 99% do tempo colados ao chão, segurando firme o meu coração em um terreno seguro. Sou feroz, intensa, chata e as vezes até grossa, mas na mesma medida transparente, honesta e verdadeira. Não carrego segredos, costumo aceitar minhas escolhas sem grandes pesares. Aprendi a me arrepender e continuar vivendo, porque aprendi a recomeçar, me recriar, me transformar. Eu aprendi a pedi perdão. Os anos trazem a alma leveza, sem necessidade de tanto imediatismo, sem necessidade que a vida aconteça ontem. A gente se aceita. Do jeito que é. E passa a celebrar com gosto saudoso a vida, a gente admite o inevitável, deixa de ciscar o chão batido, pra bater asas no desconhecido.