Descompassos

Nasci mal criada demais para caber em entrelinhas, para sufocar ausências e bastar-me de comodismos. Também nasci orgulhosa demais para insistir em sentimentos. Não sei se devo chamar orgulho, ou se por ventura, mais apropriado, deveria chamar de outro nome qualquer, onde fique claro que acredito na leveza do que vem para ser, intenso. O descompasso do meu peito, não tem ritmo para repetir refrão. Ainda assim, tenho sonhos malucos de um ser normal. Gosto de ir a livrarias e me pegar pensando que eu seria feliz morando ali. Em meio a tantas palavras, tanto sonho, tanta poesia. Eu também seria feliz na praia, repenso. Onde todos os sonhos se renovam, como ondas. Onde os acordes do mar silenciam qualquer pensamento. E o sol, como um carrasco, escreve em nossa pele lembranças, que volta e meia se apagam. Nasci transparente e feroz. Mas sem síndrome de Gabriela, amansei sentimentos, domei comportamentos. Tenho entrega nas mãos e um dom no coração. Escrever sempre foi consequência de sentir.

 

Respirar vazios

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Eu aprendi que o pulso de um poeta tem que escrever no ritmo do coração. E sentir e imaginar e viver. Aprendi que sonhar não requer esforço, requer paixão. Colocar um pé na frente do outro não é amar a vida. Aprendi que os que amam demais e em excesso não são fracos, mas vazios de si mesmos. Aprendi que é legal mudar a cor do cabelo, das unhas, a maneira de se vestir. Mas aprendi também que todo mundo tem que parar uma vez na vida, respirar fundo, repensar sua história. Parar. Tem um momento que a gente precisa se esvaziar dos outros e com leveza fechar o coração. É preciso respirar sempre e muito nossos sonhos, nossos medos, nossas esperanças. Plenitude é esse sentimento solitário que nos completa, que nos acalma e deixa a vida fluir sem certezas. Porque a gente passa a deixar a vida fluir. Sem exigências, sem pressa, sem medo, sem proibições. A gente aceita que não tem o controle da vida, e respira, tranquilo, os vazios.

Agradeço

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Ainda acordo todos os dias agradecendo pelo amor que trago no peito, pelas palavras que nunca cessam, pela vontade de escrever que nunca acaba.  Eu agradeço ter paz no meu olhar, refúgio no meu silêncio. Agradeço ser confusão, furacão e ainda assim, verdade. Não olho a vida com rancor, não criei amargura. Antes de tudo, aceito com amor o que recebo. Que bom que consigo questionar a vida sem temor e compartilhar minhas palavras ainda que com timidez. Agradeço todo amor que me foi dado, e o que me foi poupado. Continuo acreditando na magia que é o amor real, livre e acima de tudo leve. A idade apazigua a alma, lava as inseguranças, leva os medos, transforma. Viver ainda me mata de amor.