Florescer sonhos

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Eu tenho ainda um nó no peito que não foi desfeito, porque apesar de infantil eu me recusei e me recuso a falar, pensar, sentir. Eu desfoco, como quem arrancou a página de uma história importante e ficou sem saber o final. Eu bloqueei. Não tenho mania disso, de um coração ressentido, amargurado. Mas as vezes, viver sem expectativas e sem planos é mais seguro. Não se pode magoar os que não esperam nada. Traumatizados. Chamem como quiser. Assumo minha condição. Melhor do que nega-la. Estamos na mira dos que julgam a todo tempo. Porque se esta feliz, porque se esta triste, porque sai, porque não sai. A vida sempre uma corrida com obstáculos.

Mas não é possível guardar os planos para sempre em uma cartola, florescem sem querer. Um coração que ama (a vida, as pessoas, o amor), não se fecha por muito tempo. Recolhe-se ao passo do luto, da amargura, da negação, até que se redescubra, até que se transforme, ou seja transformado. Há sempre a saudade de pertencer a alguém.

 

Sobre a crise dos 26

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Sobre a crise dos vinte e seis… Não temos mais 20 e todos os possíveis amanhãs. Ainda não fizemos 30 e por este motivo existem muitos planos no papel. A maioria de nós sonhou que 26 era uma idade adulta o suficiente, mas quantos ainda estão na casa dos pais? A verdade é que com o tempo não só a idade chega, mas uma realidade sem tanta cara de novela. Uma amiga me confessou que se sentia menos romântica, menos “ela”. Eis um outro problema do tempo, com o mesmo ímpeto que amansa uma alma deixa qualquer um mais calejado. Não se sabe se a alma mansa é fruto dos calos, ou se é indiferença aos sonhos adolescentes que hoje parecem delírios. A verdade é que estamos pisando delicadamente na linha que separa o hoje do amanhã. É o lado bom. Ainda se pode escolher qualquer futuro, tentar qualquer sonho louco. Ainda podemos desistir sem grandes consequências. Recomeçar sem tanto trauma. Aconselho os que posso “melhor sofrer por inteiro do que viver pela metade”. Depois de um tempo sofrimento vira aprendizado, vira luz, vira amor. Me sinto acuada e ao mesmo tempo transbordo de energia com tantas possibilidades. Diminuir a velocidade não fez meus sonhos diminuírem de importância. Na verdade tenho saboreado as esperas, antes amargar, agora doces. E durmo todos os dias implorando a Deus que impeça que as magoas, as feridas e as quedas me tirem a autenticidade e espontaneidade que cultivo. Viver com 26 tem que ter lá seu medo, mas tem que ter também sua dose juventude liberta, astuta, impulsiva. Não façamos um dissabor de uma idade tão bonita, não nos entreguemos e deixemos de ser quem somos. É pouco tempo para desistirmos ainda jovens.

Contradições verdadeiras

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É fácil se contradizer hoje em dia. A prova disso são todos os tipos de festas cheios de corações partidos, loucos por um recomeço, por um novo amor. A gente indo pra balada cantando a lei do desapego, mas é beijar na boca que se apaixona, que deseja um reencontro ou que tristemente lembra do amor que nunca passou.  Somos intensos, desejamos leve, mas fazemos planos tão fácil, as vezes por tão pouco. Temos o coração blindado, mas acreditamos no primeiro “eu não vou sumir” que escutamos. Somos juízes na noite, julgando o comportamento de quem quer que seja, mas lembramos que não conhecemos o que cada um traz atrás da roupa cara e do perfume de marca quando o dedo “apontador” vira para nós e nos lembra nossos passos. Aprendi e continuo aprendendo a ter um coração que julga menos, aceita mais. Nem de longe direi que virei moderna, continuo antiga, mas escorregando vez ou outra. Continuo sendo romântica debaixo da minha casca grossa, mas esperando cada dia mais que menos dedos me julguem, que mais corações me amem, que mais abraços me ouçam e sorrisos me completem.