sobre o peso (do medo).

 

doverealwoman

“Não tenho mais os olhos de menina, nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas…”

(Lya Luft)

Então deixa eu dizer que também tenho medo do futuro, da idade cruel que chega para todos. Que não amo meu corpo como deveria, que ando até um pouco neurótica quando me olho no espelho. Na verdade, passei a olhar pro espelho demais e ver defeitos no meu corpo quase sempre. Sei que a juventude esta a passar e sempre soube que passaria, mas este processo assusta. De repente sua pele não é a mesma, seus cabelos, seus olhos. Mas sei que tem algo que nunca vai mudar: o meu espírito que mora nesta casa. E precisará, sempre, de amor. Mesmo com a barriga gordinha, com culotes nas pernas, com a pele um dia enrrugada.

Senhor, que eu não perca a vontade de tomar sorvete, comer hamburguer e batata frita ou chocolate.  Que o outro me aceite e me ame com uns quilos a mais, mas com uma alma leve. Porque a cobrança de um corpo padrão também pesa, porque viver de regime entristece. E que ter barriga ou ser gordinha não me torne menos digna diante do outro. Meu Deus, como vivemos num mundo cruel em que a imagem é importante de tal forma que nos constrange, nos entristece.

Desejo que meu corpo não vire uma obsessão, que meus medos não aprisionem meus desejos.  

Desejo ser amada pelo que sou, não pelo que reflito.

“O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.” (Lya Luft)

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