Ir, sobretudo, em frente.

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Li certa vez no livro da Liz Gilbert que ter o coração partido era algo positivo, porque nos mostrava que estávamos tentando algo. É, realmente tem sentindo, mas é sobretudo doloroso ter o coração partido. E estamos sempre nas idas e vindas da vida quebrando nosso coração ou ressurgindo depois de tanto sofrimento. E há de se dizer que não existe fórmula mágica para que deixemos de sofrer, para que superemos e outro sorriso sincero apareça em nosso rosto. Porque até sorrir se faz lá com um certo esforço nessas horas. O fato é: você vai sofrer, chorar, ficar desanimada, não ter paciência para festas e azaração, você vai tentar fugir de todo mundo e dizer que esta tudo bem, você está apenas sem dinheiro por isso não anda saindo muito. Você vai se sentir melhor depois de um tempo, até que tenha noticias (boas ou ruins) e lá vai você chorar de novo, se esconder de novo. É o ciclo da vida.

Já escrevi uma vez que todas as pessoas vem cumprir um papel em nossas vidas, e (sejamos sinceros) a maioria não vai ficar.

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue. Os sentimentos são sempre uma surpresa.” Clarice Lispector

Acho que foi a coisa mais sensata que li de uns tempos pra cá. É difícil conter a mão nervosa ao ligar, ao mandar uma mensagem, ao dizer que sente saudades. Mas chega uma hora que isso não adianta mais, não vai trazer ninguém de volta. Você precisa aceitar que a mão que move o mundo e os sentimentos não é a sua, é a de Deus. É difícil, com o coração partido e a máquiagem borrada aceitarmos que “se não foi não era pra ser”, que “Deus tem algo melhor pra você”. Estamos tão focadas na dor que isso não traz nenhum alívio, eu sei bem. É duro, porque não existe comprimido mágico, não existe uma fórmula a se seguir. Fiquei pensando da ultima vez que estava na fossa como consegui me erguer novamente? Foi duro, lembro como hoje (parafraseando mais uma vez Clarice) parecia que me faltava o dente da frente. Imaginem eu andando por ai querendo me esconder, porque faltava meu dente da frente. Era exatamente isso. Faltava ele do meu lado, nas minhas noites, no meu telefone, eu me senti profundamente uma metade vagando sozinha. Escrevi sobre minha tristeza inúmeras vezes, sobre como eu me sentia sem ele, sobre como foi estar mais uma vez sozinha, mas nenhuma das vezes contei a ele, guardei  cada palavra (depois essas palavras viraram este blog).

Eu me recolhi, porque no meu peito tinha dor demais pra eu sair saracutiando essa dor por ai. Agi como queria. Passei meus dias a ler livros, tento conversas profundas com uma ou duas amigas. Assitindo filmes, indo ao cinema sozinha. Aprendendo a ser sozinha novamente. E sejamos sincera orei muito pra que Deus meu trouxesse ele devolta, orei com fé, com tristeza, mas sobretudo com desespero. Não foi nenhuma dessas coisas que fez com que eu magicamente melhorasse, ou esquecesse definitivamente. O tempo, Deus, as amigas, a força que trazemos dentro de nós, o se descobrir interessada novamente e realmente por outra pessoa, essas coisas tão pequenininhas um dia fizeram sarar. Um dia olhei pra trás e ops! já não estava mais lá. Não é uma corrida fácil, nunca vai ser. E nem sei bem mesmo se é uma corrida. Na verdade é um re-encontro consigo mesma, olhar pra dentro, perdoar-se acima de tudo. Reconheça seus erros, nem que seja para você mesma, mas não se puna mais por algo que já esta fazendo você sofrer tanto. O sofrimento já é um reconhecimento e tanto que você se importa com seus erros. Com algumas pessoas não vai existir segunda chance, ou porque elas se magoram demais, ou porque não acreditam nisso. Você tem que mudar para você, porque nem todo mundo vai acreditar na sua mudança. Existe sempre uma chance de tentar de novo, talvez o amor da sua vida nesse momento tenha mesmo que ir embora e partir seu coração. Talvez ele não consiga enchergar dentro de você o que precisa para ficar. E é triste constatar isso. Mas, confia em mim, você, agora, já é alguém melhor. É o que importa. Sofrer também é viver, assuma, aceite, supere. Recomeçar faz-se necessário, e as vezes não é opcional.

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