2013

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Então 2012 já se despede e sempre fica para esse momento olhar para frente, fazer planos, mas e por que não olhar para trás? Sentir uma breve saudade de tudo que se viveu, se sentir feliz pelo que construiu. Como de costume fiz uma lista de sonhos ou planos assim que este ano estava para começar. Sejamos sinceros que olhei duas ou três vezes pro que escrevi ali, o que não me tornou indisciplinada ou fez com que eu não realizasse sonhos, muito pelo contrário. Esqueci de sonhar baixinho com aqueles desejos tão secos em uma lista, porque eu  sonhei e realizei muita coisa neste ano assim: acordada.

E é engraçado que ao mesmo tempo que a idade nos traz  essa coisa assustadora chamada responsabilidade, nos traz também conforto por estarmos realizando sonhos antes tão distantes. Foi a viagem, o carro, o cabelo que finalmente cortamos curtinho, a tinta que finalmente estragou nossos fios, o choro que borrou a maquiagem, o riso que salvou a noite, o abraço inesperado, a palavra de conforto. Foi o emprego que jogamos pro alto, ou o novo emprego que fomos atrás e agarramos com tudo. Foi um amor, um ex-amor, uma superação de amor. Foi aquele pedido de desculpas, um perdão oferecido, um “foda-se” dado.

O que não pode exister em 2013 é medo de viver. Disso Deus me livrou em 2012 e eu tratarei de manter assim no próximo ano. Ao escrever uma história não podemos ser observadores, temos que ser personagem e personagem ativo. Por isso meu voto é que em 2013 a gente consiga vencer os medos, pra poder ser mais livre, leve, inteiro. Cair de cabeça em algo unicamente nosso: a nossa vida. Não da mais pra viver na dúvida se ficamos bem no cabelo curtinho, vai lá e corta, quem sabe você ficará linda, quam sabe não. MAS ENFIM VOCÊ VAI SABER. Não dá mais pra ta em cima do muro em 2013. Em relações que não vão nem vem, com amizades que não somam, com empregos que não nos fazem feliz. Não dá pra viver amanhã, e esperar que o futuro resolva tudo sozinho. Não da mais para ver a vida passando na janela.

Da mesma forma desejo para 2013 que eu seja mais compreensiva. Com os outros, que preciso aprender a ouvir, amar e cuidar. Comigo mesma, que não preciso viver me cobrando de uma forma tão cruel. Que eu possa perdoar mais facilmente meus erros, e não me punir demais por eles, que eu possa perdoar mais facilmente o erro do outro, sem que eu me sinta boba por isso. Que eu consiga relaxar, respirar fundo, contar até 10. Que eu consiga olhar para mim e enxergar minhas fraquezas, mas que eu consiga também fazer algo com elas e não só adimitir que existem. Que eu consiga enxergar minhas qualidades, mas que isso não me deixe orgulhosa demais, apenas confiante. Que eu saiba ouvir um elogio sem desmerecê-lo, mas que eu saiba também escutar um crtítica sem revidar. Que eu saiba comemorar uma vitória, mas que aceite sem espernear uma derrota, sabendo que isso não diminui meu valor. Desejo que eu consiga ter sabedoria e maturidde para encarar as adversidades e leveza e simplicidade para viver o bom da vida, para dar valor as pequenas coisas e contemplar as grandes sem super valorizá-las.

Desejo 365 oportunidades de ser alguém melhor, sem que isso me obrigue a competir com Madre Tereza, mas me livre de ser alguém que teima em não evoluir.

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Abraçando a coragem

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“Coloquei aquele ‘Eu amo você’ no espelho. É para mim mesmo.” Caio Fernando Abreu

E em algum momento, de repente, aquele estalo bate na sua cabeça: “ei, você esta indo longe demais, vamos parar por aqui?” Não foi bem assim, mas entendi o valor que possuo e que não posso mais fingir que não sei disso. Eu estou aqui, inteira mais uma vez. Já estive aos pedaços, com medo, mas percebi que estes sentimentos não trazem felicidade nem segurança a minha pessoa. Percebi que mostrar fraqueza só me torna mais fraca, que chorar não vai me trazer ninguém de volta, que lamentar não me fará apagar meus erros. E por saber quem sou, o meu valor e por querer ser feliz admiti tudo isso, olhei pros meus erros e disse “reconheço cada um de vocês, mas não posso mais me punir por isso, estou indo em frente”, e abracei minha coragem, porque o medo eu joguei pela janela.

E essa coisa toda de se encontrar de estar bem tem mais a ver com olhar para dentro do que para fora. Tem mais a ver com serenidade e amadurecimento. Com o saber que as coisas são como são e pesar demais só nos faz mais chatos. Tem a ver com a confiança em Deus, em saber que nada escapa dos seus olhos e que ele não desempara um filho seu. Tem a ver com amor, e muito amor, próprio.

Ir, sobretudo, em frente.

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Li certa vez no livro da Liz Gilbert que ter o coração partido era algo positivo, porque nos mostrava que estávamos tentando algo. É, realmente tem sentindo, mas é sobretudo doloroso ter o coração partido. E estamos sempre nas idas e vindas da vida quebrando nosso coração ou ressurgindo depois de tanto sofrimento. E há de se dizer que não existe fórmula mágica para que deixemos de sofrer, para que superemos e outro sorriso sincero apareça em nosso rosto. Porque até sorrir se faz lá com um certo esforço nessas horas. O fato é: você vai sofrer, chorar, ficar desanimada, não ter paciência para festas e azaração, você vai tentar fugir de todo mundo e dizer que esta tudo bem, você está apenas sem dinheiro por isso não anda saindo muito. Você vai se sentir melhor depois de um tempo, até que tenha noticias (boas ou ruins) e lá vai você chorar de novo, se esconder de novo. É o ciclo da vida.

Já escrevi uma vez que todas as pessoas vem cumprir um papel em nossas vidas, e (sejamos sinceros) a maioria não vai ficar.

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue. Os sentimentos são sempre uma surpresa.” Clarice Lispector

Acho que foi a coisa mais sensata que li de uns tempos pra cá. É difícil conter a mão nervosa ao ligar, ao mandar uma mensagem, ao dizer que sente saudades. Mas chega uma hora que isso não adianta mais, não vai trazer ninguém de volta. Você precisa aceitar que a mão que move o mundo e os sentimentos não é a sua, é a de Deus. É difícil, com o coração partido e a máquiagem borrada aceitarmos que “se não foi não era pra ser”, que “Deus tem algo melhor pra você”. Estamos tão focadas na dor que isso não traz nenhum alívio, eu sei bem. É duro, porque não existe comprimido mágico, não existe uma fórmula a se seguir. Fiquei pensando da ultima vez que estava na fossa como consegui me erguer novamente? Foi duro, lembro como hoje (parafraseando mais uma vez Clarice) parecia que me faltava o dente da frente. Imaginem eu andando por ai querendo me esconder, porque faltava meu dente da frente. Era exatamente isso. Faltava ele do meu lado, nas minhas noites, no meu telefone, eu me senti profundamente uma metade vagando sozinha. Escrevi sobre minha tristeza inúmeras vezes, sobre como eu me sentia sem ele, sobre como foi estar mais uma vez sozinha, mas nenhuma das vezes contei a ele, guardei  cada palavra (depois essas palavras viraram este blog).

Eu me recolhi, porque no meu peito tinha dor demais pra eu sair saracutiando essa dor por ai. Agi como queria. Passei meus dias a ler livros, tento conversas profundas com uma ou duas amigas. Assitindo filmes, indo ao cinema sozinha. Aprendendo a ser sozinha novamente. E sejamos sincera orei muito pra que Deus meu trouxesse ele devolta, orei com fé, com tristeza, mas sobretudo com desespero. Não foi nenhuma dessas coisas que fez com que eu magicamente melhorasse, ou esquecesse definitivamente. O tempo, Deus, as amigas, a força que trazemos dentro de nós, o se descobrir interessada novamente e realmente por outra pessoa, essas coisas tão pequenininhas um dia fizeram sarar. Um dia olhei pra trás e ops! já não estava mais lá. Não é uma corrida fácil, nunca vai ser. E nem sei bem mesmo se é uma corrida. Na verdade é um re-encontro consigo mesma, olhar pra dentro, perdoar-se acima de tudo. Reconheça seus erros, nem que seja para você mesma, mas não se puna mais por algo que já esta fazendo você sofrer tanto. O sofrimento já é um reconhecimento e tanto que você se importa com seus erros. Com algumas pessoas não vai existir segunda chance, ou porque elas se magoram demais, ou porque não acreditam nisso. Você tem que mudar para você, porque nem todo mundo vai acreditar na sua mudança. Existe sempre uma chance de tentar de novo, talvez o amor da sua vida nesse momento tenha mesmo que ir embora e partir seu coração. Talvez ele não consiga enchergar dentro de você o que precisa para ficar. E é triste constatar isso. Mas, confia em mim, você, agora, já é alguém melhor. É o que importa. Sofrer também é viver, assuma, aceite, supere. Recomeçar faz-se necessário, e as vezes não é opcional.

sobre sentir e escrever

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Eu tenho essa maniazinha ridícula de sentir uma dor e escrever uma frase. Eu tenho mania de me perder nas letras, me achar em um texto. E faço mais sentido quando escrevo tudo que sinto. E é uma barra se expor assim, porque não é fácil ouvir como você é “filosofa”, como você é dramática ou sobre como você expõe sua vida nos meios sociais. Se eu fosse forte só assitiria a vida dos outros e não “postaria” nada da minha. Mas eu não consigo sentir a vida calada. E talvez, vá saber, seja ruim mesmo se derramar em tantas frases, textos e versos. Ser “misterioso” é sempre mais bonito. Mas meu mistério e não ter mistério algum. É ser assim, como sou. Talvez de fora eu pareça alguém doce e gentil, mas a verdade é que eu não sou. Eu tenho tantos defeitos que não caberiam aqui. Eu fui ficando um pouco durona mesmo, e tenho meus acessos de grosseria e chatisse. Escrever coisas lindas não me livrou dos meus defeitos, mas mostra que não estou indiferente a eles. Que mesmo que minha casca seja grossa eu sei sentir, reconhecer, amar, perdoar. Escrever é o meu momento de reflexão, mas muitas vezes de desabafo. É quando não cabe mais nada no peito, então escorrem pra fora as palavras. Ao mesmo tempo é algo que me fortalece, porque me coloca de frente comigo mesma, me faz pesar a vida, os amigos, os amores. Me faz olhar pra dentro e reconhecer quem mora aqui, me faz querer mudar, mas ao mesmo tempo sabendo quem sou me faz não desistir dos sonhos. Não acreditar em tudo que dizem sobre mim, não deixar de tentar ser alguém melhor mesmo que com alguns não exista uma segunda chance. É conhecer o meu valor independente do que aconteça e sempre me dar uma chance de ser (de)novo.