nascida pro amor

Tudo bem eu as vezes querer ser tão livre e por conta disso agir sem pensar nas consequências. Tudo bem eu querer ser inconsequênte e fingir que sou moderna e desprendida de apego. Mas então depois de pucos dias, toda minha liberdade exacerbada vira um coração apertado, uma consciência nem de longe leve. E eu me apaixono. E ando cansada desse passo. Desse eterno impulso nas mãos e nos gestos. É assim mesmo que tem que ser e um dia alguém se encaixa na nossa confusão? E um dia alguém se encaixa na nossa solidão fingida de liberdade? Nas nossas festas vazias, na incerteza de um próximo encontro? E todos os meus textos, sobre como quando as coisas tem que ser acontecem, e sobre a pessoa leve que sou e que acredita no amanhã e no destino, vem ao chão. E todas as minhas teorias de liberdade e “eu posso fazer isso sozinha” também. E eu me apaixono, e estrago tudo mesmo. Uma pena eu ter nascido com o coração maior que a vontade de ser livre.

e após tudo, o depois.

Eu tenho um coração tão meu, tão cheio de meninices e carinhos, de medos e inseguranças. Mas de alguma forma é dessa maneira que me refaço, que existo, que as coisas existem pra mim. Eu nasci com sentimento demais nesse peito. Longe de ser a mulher fatal que muitas gostariam, me resumo em previsível e obvia. Não sei jogar no amor. Não sei fingir no amor.  E mesmo assim, ainda faço das minhas besteiras de “fingida moderna”. Preciso de conversas profundas, porque faz tanto tempo e eu nem me lembro mais de como é que se faz. Porque após tudo, falta compartilhar o depois, falta conversar no silêncio, se entender em olhares…