Sobre a minha intimidade

Mas então essa minha alegria tem medo de dobrar a esquina errada e se perder de cidade, tem medo de semáforos quebrados que não deixam nunca que a gente atravesse a avenida de uma forma segura.

E tem sido pra mim cômodo saber-me de uma alegria segura, sem inconstância, sem dependência, de uma autenticidade (re)criada com tanto esforço. E de repente deparei-me receosa com o que ando vivendo. Meus sentimentos, são de uma sinceridade que me assusta. Não deixo ninguém entrar demais na minha vida se não a quero por perto por muito tempo. Sei ter conversas amenas com almas levianas. Mas, ao mesmo tempo,preciso de conversas profundas e de pessoas que não vivem só na superfície, porque viver só na superfície cansa. Eu preciso relaxar e contar os meus segredos e das minhas alegrias, e preciso olhar em olhos que tem alguma profundidade, e que conversam, mesmo quando em silencio. E estes olhos não podem ser quaisquer olhos, estas pessoas não podem ser quaisquer pessoas.

De certo nunca te darei intimidade alguma sem a intenção de que você fique, de que permaneça. Mas dentro de mim bate a certeza de que permanecer tem um significado maior do que “de vez enquando” e preciso dessas coisas demode de amor e cumplicidade. Não sou um encontro casual, minha alma não é casual, nem os meus sentimentos. Então prefiro ir embora no lugar de denegrir o que sou fingindo-me de moderninha. Minha alma precisa de segurança.

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