Eu fico me perguntando as vezes, se a gente deixa ir, se a gente nem cisca, nem reclama, nem mostra nossa dor, se a gente simplesmente abre a mão e deixa que o que tem que ir vá, será que isso tudo faz sentido mesmo? É assim que tem que ser? Abrir mão, sem nem dizer a falta que faz? Acho que todo mundo se acostumou a perder todo mundo, é um eterno indo e vindo, ninguém nunca para, as pessoas estão o tempo todo trocando os pares, ou sendo trocadas, como quiser. Não sei se sou eu que complico tudo, que romantizo tudo. É facil assim trocar de amor? Eu ainda sinto vontade de ter alguém pra sempre, alguém que não se vá pelo menos uma vez. Eu ainda queria te dizer tantas coisas, escrever uma carta, como numa despedida e dizer o que se passa aqui nesse coração, tenho vontade de desabafar, de fazer as coisas aliviarem aqui do meu lado.

De certo, já escrevi essa carta muitas vezes na minha cabeça… Acho que até poderia escrevê-la aqui de tanto que planejei, de tanto que li em pensamentos.

“Depois que eu pude me permitir chorar muito, que entendi o tamanho do que eu sou mesmo quando estou sozinha, eu pude olhar pra nossa historia sem a raiva do fim, sem aquela mágoa que só fazia mal a mim mesma. Eu reconheci que eu fui a melhor mulher que eu poderia ser para você, não estou dizendo que não cometi erros, eles aconteceram , mas tudo o que eu fui, fui com meu coração aberto, disposto e apaixonado, fui com sorrisos sinceros, fui com a minha alma leve e meu querer intenso. Eu fui alguém que desabrochou em meio a tanta maturidade, me senti realmente “crescida” depois de todo esse tempo.

Mas eu senti sua falta todos esses dias. Muitos dias eu dormi e acordei pedindo para que você voltasse, pra que isso tudo se desfizesse. E pela primeira vez eu senti a falta madura de alguém. Não era desespero, não era costume, era só saudade. Saudade de verdade. Dos dias que vivemos, das coisas boas, de tudo que você me disse, de tudo que eu te disse, da forma, do cheiro, do gosto, do toque. Eu senti falta de olhar seus olhos, de pegar no seu cabelo, eu senti falta de sentar ao seu lado e rir. Eu senti falta de amar você e de como parecíamos nos completar e encaixar tão bem.

Eu senti muitas vezes vontade de te ligar e chorar, de dizer que eu ainda sentia sua falta, de atrapalhar um pouco sua vida, mas isso nunca me coube bem. Eu só sabia mesmo era chorar quietinha de noite, meio escondiada de todo mundo. Até porque eu sempre me lembrava de você dizendo: “ai ela fez aquele drama” com aquela que sofreu o fim, “ela ainda gosta de mim” com aquela que sentiu saudades e teve coragem de dizer. Eu me via (mesmo que não fosse sua visão) diminuida, parecia que assim eu ia ser igual a essas que também te amaram tanto. E chorei ao ouvir Tereza de viver a vida dizer a Marcos “Se você precisasse só de uma mulher que te amasse seria fácil.” É, seria fácil mesmo. E eu até tentei desvendar do que mais você precisava, porque Marcos precisava viver de “amor e perdão”, mas e você?

Sei lá, ao mesmo tempo eu me perguntava “Ele já foi casado, a grande dor de amor dele já se foi.” E muitas vezes eu reconheci que não podia chegar aos pés do significado de uma mulher madura e de filhos lindos que ela deu a você, uma mulher que dividiu a vida toda dela com você, dos anos e anos que vocês dividiram juntos, das historias, das familias. Eu sei que você dizia que já não amava mais ela, que se quisesse iria atrás dela. Mas essa marca, essa coisa toda que ficou no seu peito eu achei que muitas vezes ainda tava por ai… Por isso me perguntava… “lá vai você parecer uma besta dizendo que senten saudade”. Quantas não sentiram? E eu me dizia… eu não tenho nada de tão especial assim de todas essas outras que você amou e que amaram você, acho que eu não ia fazer nada diferente mesmo. Por isso não te procurei muitas vezes.

Mas hoje eu tô aqui olhando esse mar, vendo o sol se pôr, eu ainda sinto uma saudadezinha, um apertinho no peito, mas é uma saudadesinha aliviada, como quem criou um passarinho por algum tempo e depois teve que abrir mão dele para ter de volta o que lhe pertencia. O que ficou hoje aqui é uma vontade de fazer bem pra mim sabe? Eu quero lhe encontrar um dia feliz, com uma mulher que finalmente desvendou seus mistérios e rir de você tão brega de tão feliz. Eu desejo que eu também esteja da mesma forma brega, e com alguém que não desvendou meus mistérios, porque eu nuca tive mistério algum e você sabe disso. Eu só tive uma vontade enorme de que tudo continuasse, que desse certo, eu quis mesmo que fosse eterno, que fosse amor.”

Mas a verdade é que nunca tive coragem de escrever coisa alguma, a não ser pra mim mesma e guardar. Não gosto de parecer boba, mesmo que eu esteja sendo.

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